Infra-estrutura do Hospital Pequeno Príncipe (HPP)Sem entrar no detalhamento da estrutura física do HPP, que atualmente ocupa quase todo o quarteirão delimitado pelas avenidas Silva Jardim, Desembardor Motta, Iguaçu e Brigadeiro Franco, apresentamos aqui o resultado do que tem sido realizado pelo HPP com todas as suas competências.
O sucesso do HPP na parte assistencial (apesar de atender sempre 70% de pacientes do SUS) é visto pelo progressivo crescimento físico e de recursos humanos. A preocupação pela formação e atualização dos seus profissionais demonstra o interesse pela carreira acadêmica e científica, o que se comprova pelos investimentos já realizados na Faculdades Pequeno Príncipe (FPP) e no Instituto de Pesquisa Pelé Pequeno Príncipe (IPPPP). Estas três unidades, originadas da célula mãe, a Associação Dr. Raul Carmeiro, trabalham na direção da produção de novos conhecimentos, agregando valores e competências na área cientifica e acadêmica. Um dos exemplos desta filosofia foram o CRIANÇA 2000 e CRIANÇA 2005, Congresso Internacional que acontece a cada cinco anos, reunindo mais de 500 conferencistas (sendo mais de 100 estrangeiros) e cerca de 3.000 mil pediatras e outros profissionais ligados à saúde da criança e do adolescente.
Histórico
O Hospital Pequeno Príncipe é uma organização não governamental pioneira, cuja história tem início em 1919, quando voluntárias da comunidade de Curitiba, junto com médicos, mobilizaram a Cruz Vermelha para o atendimento e fornecimento de medicamentos gratuitos a crianças carentes. Em 1920 foi nomeada uma comissão que teve como objetivo conseguir o terreno e começar a construir um hospital. A pedra fundamental foi lançada em 1922, e pouco mais de sete anos depois, o Hospital iniciava seu funcionamento. Suas primeiras enfermarias entraram em funcionamento em 1932, sob responsabilidade dos drs. Cesar Pernetta, Dr. Raul Carneiro e do Dr. Osiris Rego Barros. A primeira cirurgia foi feita em 1933 pelo Dr. Oswaldo Faria de Costa, que esteve atuando no ensino de acadêmicos até 1992.
Em 1935 a Cruz Vermelha cede o Hospital para a Faculdade de Medicina do Paraná, que profissionaliza o atendimento pediátrico através da criação do Curso de Enfermagem, um ano depois. Em 1951, o hospital passa a se chamar Hospital de Crianças César Pernetta. Apesar das ampliações no decorrer dos anos, em 1956 é necessário a fundação de uma instituição chamada Associação Raul Carneiro por voluntários, com o objetivo de zelar e cuidar da saúde de crianças carentes e construir mais um novo prédio anexo para atender à demanda sempre crescente. As ampliações não cessaram. Em 1967, a direção da Associação consegue obter o terreno em anexo ao Hospital, e com a ajuda da comunidade consegue edificar o novo prédio do Hospital Pequeno Príncipe, entregue à população em 1971. Este novo prédio também sofreu várias ampliações para melhor atender à demanda sempre crescente por atendimento.
Finalmente, em 1990 o antigo prédio do Hospital César Pernetta é doado para a Associação Hospitalar de Proteção à Infância Dr. Raul Carneiro, que já administrava os dois prédios. O crescimento e as ampliações nunca pararam.
Atualmente o Hospital tem três grandes objetivos: Além dos cuidados pediátricos, fonte de inesgotável esforço há 85 anos, também o ensino, desde 2003 e, neste último ano, também a pesquisa.
Atualmente passando de 345 para 445 leitos, o HPP oferece uma grande variedade de atendimentos externos em diversas especialidades, o Hospital atende hoje 70% de suas crianças pelo sistema público de saúde, o SUS, sendo apenas 2% dos atendimentos particulares e os demais 28% coberto por seguros assistenciais de saúde (figura 1).
Figura 1
Recursos humanos, competências e ritmo de crescimento do HPP
O Hospital conta hoje com 245 estagiários, 1469 funcionários (figura 2), sendo 639 da área de enfermagem (51 com nível universitário e 588 com nível técnico), e também psicólogos, farmacêuticos bioquímicos, biólogos, administradores, engenheiros e arquitetos, profissionais de comunicação, marketing e informática.
Trezentos e vinte e oito (328) médicos autônomos usufruem hoje das dependências do hospital sendo 76 médicos residentes e 252 médicos do corpo clínico do hospital; todos tendo em comum sua área de atuação em diversas especialidades da pediatria.
Figura 2
Para um grande número de pacientes e aprendizado diário de estudantes, estagiários e residentes, o HPP possui 218 médicos especialistas efetivos em seu corpo clínico, sendo 23 destes com formação de doutorado e mais 27 com formação de Mestrado. Os pacientes são geralmente procedentes do estado do Paraná (figura 3).
Figura 3
Atualmente, existem 12 especialidades com programa de residência reconhecido pelo MEC (figura 4) e outras quatro em condições de se tornarem reconhecidas. Parte da solução encontrada para ampliar a massa crítica para assistência, ensino e pesquisa foi o recrutamento de especialistas seniors com título de doutorado, sendo que parte deles se encontram no exterior.
Figura 4
Todas as especialidades estão disponíveis no Hospital Pequeno Príncipe (figura 5), e algumas delas são referências para o sul e outros Estados.
Figura 5
Além das especialidades médicas assistenciais, o Hospital Pequeno Príncipe conta também com os serviços auxiliares de diagnóstico e tratamento no próprio complexo hospitalar (figura 6): Anatomia Patológica, Comitê de Infecção Hospitalar (CCIH); Hemodiálise; Ecocardiografia; Eletrocardiografia; Eletroencefalografia; Endoscopia Brônquica e Gastrointestinal; Enfermagem; Psicologia; Fonoaudiologia; Serviço de Hemodinâmica; Banco de Sangue; Medicina Nuclear; Neurofisiologia; Serviço de Nutrição Parenteral; Laboratório de Análises Clínicas; Laboratório de Testes de Esforço Respiratório; Quimioterapia; Urodinâmica; Centro de Imagem com Radiologia, ultra-sonografia e Tomografia computadorizada; Serviço Social; Terapia Ocupacional e Psicologia.
Figura 6
Com todas estas especialidades e qualidade no atendimento, num ambiente exclusivamente pediátrico, o Hospital Pequeno Príncipe é referência para atendimento em: Emergências Pediátricas; Cardiologia; Nefrologia; Cirurgias Ortopédicas; Tratamento da Osteogênese Imperfeita; Reabilitação Física; Abusos e Maus Tratos da Infância; Oncologia; Tratamento da Síndrome da Imunodeficiência Adquirida; Suporte Nutricional; Assistência à Criança Indígena; Neurologia e Neurocirurgia; Transplantes de rim, fígado e cardíaco (figura 7).
Figura 7
Desde sua fundação, até os dias atuais, um fato sempre foi marcante: o crescimento progressivo da demanda, o que sempre motivou o aumento de leitos com qualidade e ampliação dos serviços e de recursos humanos. Cada família com sua história, em diferentes épocas, em diversas situações, de diversas maneiras, estes anos se caracterizaram pelo interminável atendimento a todas às crianças que nos procuraram, sem qualquer tipo de distinção entre raça, religião, ou nível social ou cultural. Assim, apesar de toda infra-estrutura já disponível, o Pequeno Príncipe ainda é pequeno e há muitas razões para crescer, e aumentar seus leitos dos atuais 345 para 445.
O número de atendimentos ambulatoriais tem crescido em torno de 5% ao ano todos os anos, desde 1999, quando foram realizados 152.688 atendimentos em todo o ano. Em 2004 este número atingiu 181.690 atendimentos. Em 2005 foram realizados mais de 190.000 atendimentos. Até julho de 2005 houve um aumento aproximado de 33% nos primeiros 7 meses, em relação ao ano anterior (figura 8).
Figura 8
Os internamentos também têm apresentado crescimento constante nos últimos anos (figura 9). Em 2000, houve um aumento de 7% no número de internamentos em relação ao ano anterior. Este número permaneceu relativamente estável até 2003, com crescimento em torno de 1% ao ano, mas em 2004 houve um aumento de 7,4% e nos primeiros sete meses de 2005, um aumento também maior que 5% no número de atendimentos.
Figura 9
Percebe-se uma demanda fortemente reprimida, pois a capacidade de leitos do Hospital é limitada, e os maiores aumentos no número de internamentos deu-se quando foi providenciado novas acomodações e novos postos de atendimentos, como o verificado em 2004 com a reforma e entrada em funcionamento do 5. Andar do Pequeno Príncipe.
O mesmo crescimento tem ocorrido com os procedimentos cirúrgicos (figura 10). De 1999 a 2002 há um crescimento contínuo no número de procedimentos. Entretanto em 2003 e 2004, houve um aumento de 9%, e nos primeiros sete meses de 2005, um aumento de mais de 10% nos diversos tipos de procedimentos cirúrgicos.
Figura 10
Novamente, salienta-se a capacidade limitada do centro cirúrgico frente ao aumento da demanda de pacientes externos, tendo se verificado os maiores aumentos após a reforma e ampliação executada no centro cirúrgico em 2003.
O Hospital Pequeno Príncipe tem se aprimorado em técnica e suporte para vários tipos de procedimentos complexos como os transplantes. Inicialmente com o transplante renal na década de 90, seguido depois pelo transplante hepático e cardíaco, entre 2001 e os primeiros meses de 2005, mais de 200 transplantes foram realizados no Hospital (figura 11).
Figura 11
Em 16 anos de atividade, o Serviço de Nefrologia executou 79.543 atendimentos ambulatoriais até 2004, com uma média anual de 4.971 atendimentos. O gráfico (figura 12) mostra uma interessante curva de crescimento, e traduz com exatidão o crescimento do Hospital Pequeno Príncipe. O serviço de Nefrologia executou em 1989, 1.034 atendimentos médico-ambulatoriais. Comparando dados de 2004, observamos um aumento de 10 vezes em apenas 15 anos, atingindo a marca de 10.115 atendimentos/ano. O atendimento havia quadruplicado já no segundo ano de atendimento, mantendo-se estável por 10 anos, até 1999. No ano de 2000 houve um importante aumento de 50% no número de atendimentos, e que após 2002, não deixou de crescer de maneira importante.
Figura 12
Da mesma forma, notou-se aumentos progressivos em outros serviços, tais como: hemodiálise (figura 13); cirurgia cardíaca (figura 14); endoscopia (figura 15) entre outros.
Figura 13
Há muitos anos, o Serviço de Cirurgia Cardíaca é uma das principais referências no Sul do Brasil (figura 14). Dispondo toda a estrutura e experiência de 29 anos de Serviço, uma UTI exclusivamente cardiológica dentro da Unidade de Cardiologia, atendimento totalmente especializado, executa em torno de 500 procedimentos por ano, diagnósticos, ou terapêuticos de baixa, moderada ou extrema complexidade.
Figura 14
A Endoscopia Digestiva começou a ser realizada em 1995 (figura 15). Desde então, estes procedimentos foram realizados em um número cada vez maior, com um importante crescimento nesta década. Para isto foi fundamental a cooperação com o Serviço de Anestesiologia do Hospital que tem contribuído para a realização destes exames. No seu primeiro ano de funcionamento foi executado 198 exames, número que apresentou um contínuo crescimento até chegar a 1003 procedimentos em 2004, totalizando um total de 5546 exames realizados desde o início.
Figura 15
Mesmo com a demanda crescente nos diversos setores, e o contínuo processo de educação e formação de alunos e funcionários, a implantação de diversos programas de controle de qualidade e a seriedade da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar, associados com a melhora das condições técnicas de assistência, de diagnóstico e de laboratório foram as responsáveis pela contínua e progressiva queda na taxa de mortalidade do hospital, que em 1999 era de 1,8% e atingiu, nos primeiros meses de 2005, apenas 1,04% (figura 16).
Figura 16
As diversas especialidades cirúrgicas pediatricas efetuaram mais de 32.000 procedimentos externos em 2004 (figura 17). Praticamente a metade destes procedimentos foi realizada pela cirurgia ortopédica, outro serviço de reconhecida qualidade e referência do Pequeno Príncipe. O serviço de Ortopedia Pediátrica possui estágio em pediatria para diversos cursos de Residencia Médica em Ortopedia de Curitiba. Também forma especializandos em nível de R4 para ortopedia pediátrica.
Sete mil e quinhentos (7.500) procedimentos da cirurgia geral pediátrica foram efetuados em 2004, 3.000 procedimentos da Urologia e oftalmologia. Em 2004, foram realizados 1.277 procedimentos neurocirurgicos. Lembramos que para quase todos estes procedimentos, é necessário um suporte de terapia intensiva.
Figura 17
Em 2004, houve no Pequeno Príncipe mais de 11.700 internamentos cirúrgicos, nas diversas subespecialidades, sendo praticamente a metade delas para cirurgia geral. Cirurgias de pequeno, médio e grande porte são efetuadas diariamente no Pequeno Príncipe em diversas subespecialidades (figura 18). Para oferecer suporte para todas estas cirurgias, há dois anos foi realizado uma grande reforma e ampliação no centro cirúrgico que recebeu mais espaço, mais salas e uma melhor infraestrutura. Do mesmo modo, foi inaugurada, há quatro anos uma Unidade de Terapia Cirúrgica, destinada a acolher pacientes em pós operatórios imediatos, oferecendo segurança e suporte aos pacientes submetidos a cirurgias delicadas e de grande porte, e aos transplantes efetuados no Hospital.
Má formações congênitas e outras enfermidades cirúrgicas Neonatais recebem os cuidados pós-operatórios especializados pela equipe da UTI Neo natal, em funcionamento há quase duas décadas.
Figura 18
Além do pioneirismo no tratamento e manuseio de diversas patologias, o Pequeno Príncipe também inova nos seus projetos sociais para atendimentos e bem estar das crianças. Um dos projetos extremamente bem sucedidos foi o programa da Família Participante (figura 19). Este programa permite e incentiva a permanência de um familiar acompanhando o internamento da criança. Além de proporcionar uma diminuição do sofrimento da criança causado pelo afastamento da família e de suas atividades diárias, o programa produziu uma importante diminuição no tempo de internamento, com conseqüente melhor e mais rápida recuperação. Uma criança acompanhada por familiares recupera-se, em média na metade do tempo que uma criança sem acompanhamento.
Figura 19
Conseqüentemente outros índices Hospitalares como a taxa de infecção Hospitalar ou a incidência de doenças infecciosas também apresentam uma importante redução (figura 20). Somam-se ainda outros benefícios alcançados, como a diminuição da desnutrição, e dos efeitos psicológicos que uma internação hospitalar pode trazer para uma criança.
Figura 20
Como todas as pesquisas realizadas no Instituto Pelé Pequeno Príncipe são conhecidamente do tipo 'Translational Research', tudo que se investiga tem que terminar com alguma forma de benefício para a criança, e deve em primeiro lugar atender à demanda do estado do Paraná. Assim, por causa da mais elevada incidência de câncer de córtex adrenal em crianças estar acontecendo no Paraná, todas as pesquisas conduziram ao desenvolvimento do primeiro teste de DNA no mundo (figura 21) para uma população de recém-nascidos de um Estado. O HPP lançou em 2005 este tipo de teste, que além de detectar a mutação responsável (TP53 R337H), irá realizar o controle dos acompanhamentos de todos os recém-nascidos com teste positivo para esta mutação, com a finalidade de fazer o diagnóstico precoce com exames séricos, indicar a cirurgia curativa, e depois fazer os mapeamentos dos casos de mutação, com ou sem câncer, para posterior comparação com dados de contaminação química ambiental, e irá oferecer gratuitamente o aconselhamento genético para todos os recém-nascidos e familiares.
Figura 21